12/10/2020

Na região de Apucarana há registros de pessoas que receberem tais sementes via Correios em Mauá da Serra e Rolândia.

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) está monitorando os casos de recebimento de pacotes de sementes no Estado originários de países asiáticos. Desde setembro, quando começaram a ser registrados os primeiros casos no Paraná, a agência coletou 34 pacotes de sementes A maioria dos pacotes foi recebida pelos destinatários sem que houvesse nenhum tipo de solicitação. No entanto, mesmo as pessoas que compraram as sementes têm procurado a Adapar para entregar o material.

Os casos foram registrados nos municípios de Curitiba (9), Colombo (1), São José do Pinhais (1), Campo Mourão (2), Guarapuava (1), Paranavaí (4), Marechal Cândido Rondon (1), Cascavel (1), Maringá (2), Londrina (1), Fazenda Rio Grande (1), Mauá da Serra (1), Ponta Grossa (1), União da Vitória (1), Pato Branco (1) Icaraíma (1), Iporã (1), Marmeleiro (1), Rolândia (1), Jacarezinho (1) e Palmeira (1).

Uma moradora de Mauá da Serra recebeu uma encomenda misteriosa via Correios no dia 18 de setembro. Quando ela abriu o envelope, viu que as sementes de cereais pretas. O remetente, conforme a Polícia Militar (PM), é SUN YOU 6808 AVALON BLVD, da cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos. A moradora de Mauá da Serra, chamada Letícia, disse à PM que desconhece a encomenda e que ao pesquisar na internet, constatou que está acontecendo diversas situações similares, e que a recomendação é para procurar a autoridade policial.

“Achei estranho porque não fiz nenhum pedido desse tipo. Por isso, pesquisei na internet e vi casos parecidos. Logo, procurei os policiais e eles me orientaram”, disse Letícia. Ela decidiu registrar boletim de ocorrência, foi orientada pela PM e encaminhou as sementes à Secretaria de Agricultura do município para que sejam tomadas as providências cabíveis.

De acordo com o gerente de Sanidade Vegetal da Adapar, Renato Rezende Young Blood, as sementes representam risco para a economia paranaense, pois podem trazer pragas, doenças e até mesmo plantas daninhas que não existem no país, capazes de causar prejuízos à agricultura e ao meio ambiente.

Logo que o Brasil registrou a primeira ocorrência, a Adapar elaborou um plano de ação para reduzir o risco fitossanitário. “Assim, quando houve o primeiro caso no Paraná, o plano foi rapidamente encaminhado para todas as nossas unidades”, disse Renato.

Os técnicos da Adapar encaminham os pacotes de sementes ao Ministério, que os envia para o LFDA (Laboratório Federal de Defesa Agropecuária), do Ministério da Agricultura, em Goiânia.

Na segunda-feira (5), a equipe do Ministério da Agricultura revelou ter identificado a presença de ácaros, fungos, bactérias e possíveis pragas em algumas das 258 amostras coletadas no Brasil. Os únicos estados que ainda não registraram o recebimento do material foram Maranhão e Amazonas. Nos próximos 30 dias devem ser divulgados mais detalhes sobre os resultados.

Plantas
No Paraná, também foram registrados dois casos de pessoas que plantaram as sementes, em Maringá e Londrina. Segundo o gerente de Sanidade Vegetal da Adapar, há medidas específicas com relação às plantas eventualmente originadas do material importado. “Quando isso ocorre, os fiscais têm ido ao local e coletado todas as plantas, incluindo raízes, substrato e amostra do solo”, diz. O material é encaminhado ao Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti, laboratório da Adapar, onde serão feitas análises para identificar a eventual ocorrência de pragas.

“Também são realizados estudos a fim de possibilitar a identificação botânica do material, para indicar qual é a espécie da planta. Isso nos possibilitará saber se ela é daninha ou não”, acrescenta Renato. As informações são da AEN-PR.

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