Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

19/01/2022

Duas mulheres trans foram feridas a facadas no último sábado (15) à tarde em Apucarana; um elemento que confessou o crime foi preso

A ativista Renata Borges, mulher transexual de Apucarana defensora da causa das mulheres, LGBTI+, animais, população em situação de rua, povos indígenas, ciganos e grupos vulneráveis e presidente do diretório municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT) (1° mulher transexual a presidir um partido político no Paraná), auxiliou no agendamento de exame de corpo de delito de duas vítimas, de 26 e 24 anos, respectivamente, após tentativa de trans feminicídio ocorrida no último sábado (15) à tarde, em residência situada na Rua César Marcos Navia, no Jardim Morada do Sol. 

As vítimas foram feridas com golpes de faca por um indivíduo conhecido como Samurai, que acabou preso no final da tarde de sábado (15) por uma equipe da Guarda Municipal (GM). Em depoimento à Polícia Civil, Samurai disse que passou a noite de sexta-feira para sábado com as vítimas e depois as esfaqueou e fugiu após um suposto desacordo.

O episódio fez com que a ativista Renata Borges encaminhasse ofício de agradecimento à Polícia Militar, à Polícia Civil, Ministério Público e Guarda Municipal agradecendo a atenção e o tratamento dado ao caso de tentativa trans feminicídio ocorrido em Apucarana.

Veja os trechos principais do ofício 

“Aos cuidados COPEDH, POLÍCIA CIVIL – 17ª subdivisão, POLÍCIA MILITAR – 10° Batalhão, APUCARANA – PR

Venho por meio deste ofício agradecer a Polícia Militar e a Polícia Civil de

Apucarana, em especial a escrivã Luciana Zanon e ao plantonista Laércio Primon, em especial a Guarda Municipal de Apucarana e ao Ministério Público, através da 2ª Promotoria, pois sem ela nenhum avanço  na área da saúde teria acontecido para a população de travestis e transexuais.

Gostaria que a Comissão Permanente de Direitos HUMANOS, através da SEJUF (Secretaria da Justiça, Família e Trabalho), tomasse conhecimento da tentativa de trans feminicídio na cidade de Apucarana.

https://www.facebook.com/groups/258256011027444/permalink/1842765619243134/?sfnsn =wiwspwa&ref=share

Vivemos no País que mais mata travestis e transexuais no mundo, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Mais de 92% da nossa população vive em via de prostituição. https://antrabrasil.org/

Como é de conhecimento da maioria, muitos dos problemas com as prostitutas e profissionais do sexo se dá por desacordo comercial. Esse caso acompanhei em todo o processo, o cliente estava desde 20 horas buscando sexo, drogas e ficou com as meninas ate 13 horas do dia anterior.

A mãe de uma das meninas da Jhennifer me ligou por volta das 15:00 informando que a filha dela e a Mari estavam esfaqueadas e uma estava no UPA e a outra no Hospital da Providência e que ambas estavam esfaqueadas. A Mariane teve seu rosto e seu corpo todo retalhado, tudo isso porque o cliente após ter tido ato sexual com a Jennifer disse não ter dinheiro.

Enfim, após tantas denúncias no MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, em especial à 2 promotoria,  as meninas foram respeitadas em todo o processo. Fui à UPA acompanhar a Jennifer que disse que o nome social portaria MS 1809 foi seguida à risca.

Enfim, a escrivã Luciana Zanon foi humana, sim essa palavrinha tão simples, e ao mesmo tempo tão distante da nossa população. Digo isso porque a Jennifer ainda não tem seus documentos alterados.

Os policiais militares do 10°Batalhão respeitaram as meninas, foram interrogar as mesmas na UPA e esse serviço de amparo à Segurança Pública é o que buscamos. Recebi uma ligação da escrivã pedindo para levar as meninas para reconhecer o homem que as esfaqueou, pois as meninas não tem telefone. São esses detalhes que me levam a transcrever esse ofício, pois a guarda municipal de Apucarana foi que deu ordem de prisão para o até então suspeito.

Hoje comunico ao COPEDH o quanto avançamos graças ao intermédio da promotora Fernanda Lacerda, da 2ª promotoria do Ministério Público .

Agradeço aos policiais militares do 10° batalhão pelo empenho, pelo respeito e pela cidadania, especialmente a equipe do 190 e o responsável por atender as ligações do telefone do Batalhão, além da equipe móvel. OBRIGADA a todos e todas envolvidas na luta pela promoção DOS DIREITOS HUMANOS. Sem vocês a nossa luta não avança.

RENATA BORGES BRANCO

DEFENSORA DE DIREITOS HUMANOS.
Filiada da ANTRA – Associação Nacional de travestis e transexuais.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

 

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