30/03/2021

O clima esquentou no intervalo entre a sessão ordinária e a sessão extraordinária que ocorreram na última segunda-feira (29/03), na Câmara de Vereadores de Novo Itacolomi. Durante a sessão ordinária, houve a leitura de um projeto de resolução que objetiva alterar o horário das sessões ordinárias para às 19h.

No intervalo entre as sessões o vereador Ivanil da Silva esbravejava entre os vereadores sobre o projeto, dizendo que isso atrapalha seus afazeres pessoais, que ele tinha que manter “suas canequinhas cheias”, em clara intenção de dizer que seus afazeres particulares eram mais importantes que ser vereador, conforme informações.

A vereadora Maria Benedita da Silva Pereira (PSL) disse então ao vereador que se a preferência dele fosse a vida particular, que renuncia-se e deixa-se o seu suplente assumir o cargo, momento em que houve uma discussão entre ambos, tendo Ivanil proferido argumentos que, conforme informações, teriam “diminuído” a condição de mulher da vereadora, deixando-a extremamente constrangida e humilhada diante de outros vereadores e servidores que acompanhavam as sessões.

Ivanil disse claramente que “não fica em casa lavando louça como a vereadora”. Benedita sentiu-se agredida verbalmente diante do fato, pois entende que jamais uma mulher pode ser tratada desta forma, com tamanha inferiorização e humilhação, como se tudo que fizesse é supérfluo, em contraposição que só um homem, o vereador Ivanil, faz coisas importantes. A vereadora informa que pedirá perante a Câmara a cassação do mandato de Ivanil por quebra de decoro parlamentar, pois não admite tal ofensa ocorrida no plenário da Câmara de Vereadores ou em qualquer outro lugar, feita contra si e que atinge como também a dignidade de todas as mulheres que ela representa.

Suposto preconceito
Antes de iniciar a discussão com a vereadora Benedita, assim que o presidente da Câmara encerrou a sessão ordinária e ia dar início à sessão extraordinária, o vereador Ebisom de Souza Quevedo da Silva (PP), pediu para o presidente aguardar um momento, que iria até o fundo do plenário buscar um café, quanto então Ivanil disse em tom alto que se o vereador “não tinha medo de tomar muito café e ficar preto”. O comentário infeliz de Ivanil pode ser possivelmente ser interpretado como preconceito de cor e raça, de acordo com informações.

Versão da vereadora
A vereadora Maria Benedita da Silva Pereira foi ouvida pelo repórter Márcio Silvestre, do Canal 38. “Sim, colocamos para ser votado às 7 horas da noite, só que assim o pessoal que mora em Cambira como ele aí como ele já leu, começou dar risada sentado; aí ele quis dizer que eu, como mulher, fico dentro de casa lavando louça. Chega 5 horas da tarde, tomo banho e vou para reunião; aí falou um monte de coisas; a maioria da Câmara e nós somos a maioria, começou a gargalhar. Eu não estou nem aí, o dia que der para vir eu venho, e não preciso vir aqui, eu não dependo disso aqui. Ele tem a vida dele, ele tem a chácara dele e prefere a chácara do que a política. Aí ele ignorou, ele quis dizer que eu sendo mulher não tenho direito de trabalhar na política; aí eu disse pra ele: eu trabalho, meu marido trabalha eu sei da minha obrigação.

Falei que sempre venho nas sessões, eu trabalho. A hora que acabou a reunião ele começou a rir na minha cara pelo que ele falou, aí ele zombou na minha cara, falou alto mandou, eu abaixar a voz; ele anda muito nervoso, já brigou comigo, ele humilha e disse que mulher não sabe nada. Eu falei: se você pedir demissão e se afastar do cargo, tem gente melhor pra assumir aqui. Ele ficou mais irritado quando disse que ele tem que pensar na população. Eu não fico pensando no que tenho que fazer em casa, não, eu trabalho. Aí o presidente pediu pra gente acalmar.

Eu não gostei da atitude dele não; é o segundo mandato meu, então eu represento as mulheres muito bem, meu nome é Maria Benedita da Silva Pereira. Desde de o começo ele sempre barra tudo que a gente vai votar, ele sempre gosta de travar; tem muita gente que tem medo dele. eu não tenho. E ainda teve um comentário de racismo. O vereador Edson Quevedo foi tomar café no intervalo e ele disse pro vereador não ficar 1 tomando muito café, pois vai ficar preto. Ele fez uma discriminação por eu ser mulher e nós temos um vereador negro, o Buiú, então eu acho que ele não deveria fazer isso. Eu vou procurar os meus direitos. Na outra vez que aconteceu o caso ele me desacatou, só que não foi assim; se eu abaixar a cabeça ele vai continuar. Eu já procurei meus advogados, vou procurar meu direito por denegrir minha imagem. Ele riu na minha cara, vou ver o que eu posso fazer”, disse a vereadora Maria Benedita da Silva Pereira.

Versão do vereador
O vereador Ivanil da Silva também deu a sua versão dos fatos ao repórter Márcio Silvestre, do Canal 38, para que as duas partes pudessem se manifestar. “Ela colocou na cabeça dela, não foi na sessão, não foi no intervalo da extraordinária com a sessão normal. Eu sou um cara que tá vindo do quarto mandato e não dependo de política nenhuma, fiquei em terceiro lugar, eu fui candidato quatro vezes, ganhei as quatro e ela tá querendo me prejudicar. Eles vivem de política, eu nem preciso disso; deixa ela processar, fazer o que ela quiser, ela que mandou eu calar a boca, eu falo alto mesmo e o que precisar de mim aí eu vou para debate, não tenho rabo preso com prefeito nenhum, ela tem.

Eu não quero denunciar ninguém, quero ficar numa boa, tenho meus eleitores. Apesar que eu sou um político grãozinho de areia, vou em qualquer lugar e ela que começou a falar de mim porque não vejo motivo de trocar o horário e não houve agressão verbal contra a vereadora, não agredi ela não”, garantiu o vereador Ivanil.

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