21/05/2021

Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, acusada de oferecer doses de vacina em sua casa, prestou depoimento na Comissão Especial da Assembleia Legislativa que apura possíveis fraudes.

A mulher denunciou que no Lagoão era comum a vacinação de pessoas de fora do grupo prioritário. Segundo ela, mais de 20 pessoas, com até 40 anos de idade, foram vacinadas, inclusive uma educadora física que estaria licenciada da função. Há também três denúncias graves envolvendo funcionários públicos do município de Apucarana que teriam furado a fila da vacina contra Covid-19, conforme o deputado Delegado Francischini (PSL).

Em reunião na quinta-feira (20), os deputados que integram a Comissão Especial criada na Assembleia Legislativa do Paraná para apurar possíveis irregularidades na ordem de vacinação contra a Covid-19 no Estado realizaram uma diligência na cidade de Apucarana. No município, os parlamentares apuram o caso de uma suposta enfermeira acusada de oferecer e vender doses da vacina contra a Covid-19. A mulher, que foi presa a pedido do Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR), prestou depoimentos aos parlamentares.

Participaram da reunião os deputados Delegado Francischini (PSL), presidente da Comissão, Delegado Jacovós (PL) e Arilson Chiorato (PT). “Nosso objetivo é ouvir o caso conhecido como o da ‘falsa enfermeira’. A Comissão tem a missão de interligar informações entre os órgãos do Estado que investigam esses casos. Temos mais de 800 denúncias de fraudes na fila de vacinação”, afirmou Francischini.

Durante a oitiva, a suspeita Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, afirmou que os frascos achados em sua residência tinham duas origens: um deles era da vacina que ela própria tomou; o outro, seria destinado a vacinar uma família de conhecidos com negócios em Apucarana. Ela negou, no entanto, que tenha comercializado ou oferecido mais doses para outras pessoas.

Sobre o fato de estar trabalhando voluntariamente como enfermeira sem formação, ela disse que jamais foi questionada no posto em que prestava serviços sobre isso. De acordo com o MP, ela foi admitida sem qualquer cuidado, já que não tem formação na área. A mulher denunciou ainda que, no local, era comum a vacinação de pessoas de fora do grupo prioritário. Segundo ela, mais de 20 pessoas, com até 40 anos de idade, foram vacinadas no esquema comandado por Luciano Pereira, coordenador da Epidemiologia municipal e profissional de enfermagem com 33 anos de carreira no município. Ele foi afastado do cargo há 6 dias e deverá depor na próxima semana. Há também três denúncias graves envolvendo funcionários públicos do município que teriam furado a fila da vacina contra Covid-19, conforme informações dos deputados.

Durante depoimento, Silvânia relatou que presenciou a vacinação de uma educadora física de Apucarana, depois, em outro dia, chegou a proprietária de uma academia de Arapongas que levou as funcionárias para vacinar, porém, não permitiram a imunização das funcionárias, mas a dona da academia teria sido vacinada. A Comissão vai apurar o caso.

Membros – Além dos participantes, também são titulares da comissão os deputados Hussein Bakri (PSD), Tiago Amaral (PSB), Michele Caputo (PSDB) e Nelson Justus (DEM). Os suplentes são Emerson Bacil (PSL), Artagão Junior (PSB), Paulo Litro (PSDB), Tadeu Veneri (PT), Anibelli Neto (MDB) e Galo (PODE).

MANDADOS DE BUSCA
O Ministério Público do Paraná e a Polícia Civil de Apucarana cumpriram na quinta-feira (20), mandados de busca e apreensão relativos ao caso da falsa enfermeira que teria desviado vacinas contra a Covid-19. As ordens judiciais foram cumpridas em vários endereços, entre os quais a Autarquia Municipal de Saúde (AMS), na Rua Miguel Simeão, no centro de Apucarana.

Durante o cumprimento dos mandados na quinta-feira (20) foram apreendidos vários documentos, carteiras de vacinação e equipamentos eletrônicos, dentre outros itens, que agora serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação, A Promotoria apura o possível envolvimento de servidores públicos no desvio das doses de imunizantes. Será apurada também a eventual responsabilização de pessoas que possam ter sido beneficiadas com a aplicação da vacina por Silvânia Regina Ribeiro Del Conte.

O CASO
A Polícia Civil de Apucarana apreendeu na tarde de sábado (15/05) ampolas de vacinas contra covid-19 na residência de Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, suspeita de ter desviado o material de rede pública de saúde para vender as doses a pessoas que não fazem parte do público alvo da campanha. Na casa da mulher, que se apresenta como técnica em enfermagem, foram apreendidos também carteirinhas de vacinação, celulares e seringas.

A mulher foi presa e levada a 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana. O mandado de busca e apreensão na casa da detida atende a pedido do Ministério Público do Paraná, por meio da 2ª Promotoria de Justiça, que abriu investigação após receber denúncia do vereador Lucas Leugi. A mulher trabalhou como voluntária na campanha de vacinação contra covid-19 até ser afastada após ser alvo das denúncias. O vereador apresentou indícios que apontam que a falsa enfermeira teria atuado como voluntária para desviar vacinas contra a Covid-19 para revendê-las. Há informações, ainda não confirmadas pela Polícia Civil, de áudios e troca de mensagens em aplicativos onde a detida oferecia a vacina.

Durante o cumprimento da ordem judicial, as doses de vacina foram apreendidas (um frasco da Astrazeneca, com cinco doses; um de CoronaVac com um número ainda não determinado de doses e um vazio) e a falsa enfermeira foi presa em flagrante pelo crime de peculato, podendo responder também pelos crimes de falsidade ideológica e infração de medida sanitária. Nesta semana o juiz Osvaldo Soares Neto decretou a prisão preventiva de Silvânia, mas uma uma advogada já entrou com pedido de liberdade para Silvânia, alegando que sua cliente está colaborando com as investigações e que não haveria necessidade da mulher permanecer presa, porque no entendimento da defensora, o crime não envolveu violência ou grave ameaça e Silvânia poderia ser monitorada por tornozeleira eletrônica.

1 COMENTÁRIO

  1. A que ponto chegamos Apucarana ??? A cidade natal do secretário de saúde …. Cidade toda desorganizada . Isso mostra a capacidade de governo do prefeito atual . Até quando vamos ficar nas mãos deles . Sem qualquer tipo de planejamento para administrar uma campanha de vacinação . As pessoas tem se iludido com recape de asfalto, iluminação de parques,pintura de faixa para pedestre e não estão vendo a calamidade da saúde que o conterrâneo é o secretário . 🤦. O secretário da saúde do município acredita na falsa enfermeira,sobre não ter vacinado ninguém com soro !!! Será que uma pessoa que comete uma fraude dessa merece que alguém acredite ??? Misericórdia gente !!! Não se iludam posso Apucaranense com recape de asfalto e iluminação . Reforma de escolas sendo que precisamos da imunização da covid . É nisso que se deve gastar dinheiro no momento . Precisamos sim de educação de melhora nas escolas. Mas o principal hoje é a saúde que o secretário do estado do Paraná não está vendo pelo povo Apucaranense . Pensando que aqui ele já passou um mel na boca do povo . Que vergonha …. Minha família adoecendo e não ter o direito de ver e nem enterrar um parente .

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