Foto: Lucas Leal - Canal 38

24/05/2021

Acompanhado de seu advogado, Sérgio Luiz Barroso, o servidor público de Apucarana, Luciano Pereira, foi à 17ª Subdivisão Policial (SDP) por volta das 11h desta segunda-feira (24) para prestar depoimento no inquérito policial que apura o caso da falsa enfermeira Silvânia Regina Ribeiro del Conte e a fraude com desvio de imunizantes.

O servidor Luciano Pereira tem 32 anos de serviço prestado na Saúde Pública, foi afastado do cargo de coordenador da Epidemiologia. Ele era o principal responsável pela vacinação no drive-thru e no interior do Ginásio de Esportes Lagoão.

“O senhor Luciano é um servidor público de carreira, há 32 anos, sem nenhuma mácula na sua vida profissional e pessoal. Ele rechaça, veementemente, as falsas acusações feitas por uma criminosa confessa. Ele provará sua inocência no curso das investigações e, ao final, irá processar essa senhora por denunciação criminosa e por danos morais”, afirmou o advogado Sérgio Luiz Barroso.

Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, acusada de oferecer doses de vacina em sua casa, prestou depoimento na quinta-feira (20) na Comissão Especial da Assembleia Legislativa que apura possíveis irregularidades na ordem de vacinação contra a Covid-19. A mulher foi presa a pedido do Ministério Público (MP) do Estado do Paraná, após denúncia do vereador Lucas Leugi.

Participaram da reunião os deputados Delegado Francischini (PSL), presidente da Comissão, Delegado Jacovós (PL) e Arilson Chiorato (PT). “Nosso objetivo é ouvir o caso conhecido como o da ‘falsa enfermeira’. A Comissão tem a missão de interligar informações entre os órgãos do Estado que investigam esses casos. Temos mais de 800 denúncias de fraudes na fila de vacinação”, afirmou Francischini.

Durante a oitiva, a suspeita Silvânia Regina Ribeiro Del Conte afirmou que os frascos achados em sua residência tinham duas origens: um deles era da vacina que ela própria tomou; o outro, seria destinado a vacinar uma família de conhecidos com negócios em Apucarana. Ela negou, no entanto, que tenha comercializado ou oferecido mais doses para outras pessoas.

Sobre o fato de estar trabalhando voluntariamente como enfermeira sem formação, ela disse que jamais foi questionada no posto em que prestava serviços sobre isso. De acordo com o MP, ela foi admitida sem qualquer cuidado, já que não tem formação na área. A mulher denunciou ainda que, no local, era comum a vacinação de pessoas de fora do grupo prioritário. Segundo ela, mais de 20 pessoas, com até 40 anos de idade, foram vacinadas no esquema comandado por Luciano Pereira, coordenador da Epidemiologia municipal e profissional de enfermagem com 33 anos de carreira no município. Ele foi afastado do cargo há 6 dias e deverá depor na próxima semana. Há também três denúncias graves envolvendo funcionários públicos do município que teriam furado a fila da vacina contra Covid-19, conforme informações dos deputados.

Silvânia relatou ainda que presenciou a vacinação de uma educadora física de Apucarana, depois, em outro dia, chegou a proprietária de uma academia de Arapongas que levou as funcionárias para vacinar, porém, não permitiram a imunização das funcionárias, mas a dona da academia teria sido vacinada. A Comissão vai apurar o caso.

MANDADOS DE BUSCA
O Ministério Público do Paraná e a Polícia Civil de Apucarana cumpriram na quinta-feira (20), mandados de busca e apreensão relativos ao caso da falsa enfermeira que teria desviado vacinas contra a Covid-19. As ordens judiciais foram cumpridas em vários endereços, entre os quais a Autarquia Municipal de Saúde (AMS), na Rua Miguel Simeão, no centro de Apucarana.

Durante o cumprimento dos mandados na quinta-feira (20) foram apreendidos vários documentos, carteiras de vacinação e equipamentos eletrônicos, dentre outros itens, que agora serão analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação, A Promotoria apura o possível envolvimento de servidores públicos no desvio das doses de imunizantes. Será apurada também a eventual responsabilização de pessoas que possam ter sido beneficiadas com a aplicação da vacina por Silvânia Regina Ribeiro Del Conte.

O CASO
A Polícia Civil de Apucarana apreendeu na tarde de sábado (15/05) ampolas de vacinas contra Covid-19 na residência de Silvânia Regina Ribeiro Del Conte, suspeita de ter desviado o material de rede pública de saúde para vender as doses a pessoas que não fazem parte do público alvo da campanha. Na casa da mulher, que se apresentava como técnica em enfermagem, foram apreendidos também carteirinhas de vacinação, celulares e seringas.

A mulher foi presa e levada a 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana. O mandado de busca e apreensão na casa da detida atendeu a pedido do Ministério Público do Paraná, por meio da 2ª Promotoria de Justiça, que abriu investigação após receber denúncia do vereador Lucas Leugi. A mulher trabalhou como voluntária na campanha de vacinação contra Covid-19 até ser afastada após ser alvo das denúncias. O vereador apresentou indícios que apontam que a falsa enfermeira teria atuado como voluntária para desviar vacinas contra a Covid-19 para revendê-las. Há informações, ainda não confirmadas pela Polícia Civil, de áudios e troca de mensagens em aplicativos onde a detida oferecia a vacina.

Durante o cumprimento da ordem judicial, as doses de vacina foram apreendidas (um frasco da Astrazeneca, com cinco doses; um de CoronaVac com um número ainda não determinado de doses e um vazio) e a falsa enfermeira foi presa em flagrante pelo crime de peculato, podendo responder também pelos crimes de falsidade ideológica e infração de medida sanitária. O juiz Osvaldo Soares Neto decretou a prisão preventiva de Silvânia, mas uma uma advogada já entrou com pedido de liberdade para Silvânia, alegando que sua cliente está colaborando com as investigações e que não haveria necessidade da mulher permanecer presa, porque no entendimento da defensora, o crime não envolveu violência ou grave ameaça e Silvânia poderia ser monitorada por tornozeleira eletrônica.

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