A tragédia envolveu esta família na Paraíba. Pai, mãe e o irmão de um garoto de 13 anos foram baleados. Foto: Reprodução/JPB 1/G1 Paraíba

24/03/2022

O delegado Renato Leite, da Polícia Civil da Paraíba (PB), responsável por investigar a ação de um menino de 13 anos apontado como causador de uma tragédia familiar a tiros na cidade de Patos, acredita que o adolescente preferiria que todos os familiares não sobrevivessem aos disparos. Ele matou a mãe de 47 anos e o irmão de 7 anos a tiros e deixou o pai de 56 anos paraplégico. O adolescente relatou à Polícia que o pai tomou o celular dele em decorrência de notas baixas da escola e o impediu de jogar um jogo virtual. O menor usou a arma do pai (policial militar da reserva) para destruir a família.

O delegado falou sobre o caso  após a ocorrência, noite do último sábado (19), em que o policial comenta o depoimento feito pelo garoto na delegacia.

Conforme o médico-cirurgião responsável por cuidar do pai do suspeito, socorrido após a ocorrência, ele ficará paraplégico. Apesar disso, o homem de de 56 anos ainda não passou por cirurgia e está consciente.

“Eu percebi, infelizmente, que quando ele (adolescente) soube que o pai estava vivo, se assustou. Acho que ele estaria mais satisfeito se todos os três estivessem mortos”, afirmou o delegado.

Além do pai, que é um policial militar reformado, a mãe e o irmão do adolescente de 13 anos foram baleados. Estes dois últimos, no entanto, não resistiram aos ferimentos e morreram na hora.

Qual foi o motivo que levou à tragédia familiar
Ainda de acordo com o delegado Leite, o adolescente relatou que o pai tomou o celular dele em razão de notas baixas da escola e o impediu de jogar um jogo virtual.

“Uma família foi destruída por conta da virtualização da vida, vamos dizer assim. O adolescente alegou que os pais lhe privavam de jogar este jogo e esta, segundo ele, foi a gota d’ água”, comentou o delegado.

O adolescente também disse aos investigadores que o fato dele não poder jogar o jogo, o impedia de manter contato com amigos da escola. Com isso, conforme dito pelo suspeito em depoimento, ele se sentia pressionado.

“A turma dele da escola jogava esse mesmo jogo e ele tirando notas baixas, não cumprindo seu dever enquanto estudante, mas também suas tarefas domésticas, já que também afirmou que se sentia pressionado quando os pais o cobravam para lavar a louça ou arrumar a cama, armou-se com a arma do pai e fez o que fez. Infelizmente”, detalhou o delegado Leite.

Como aconteceu a ocorrência envolvendo o adolescente e a família
Depois de ser socorrido, o próprio pai disse aos policiais que a arma usada pelo filho era dele. O armamento foi pego pelo filho no momento em que o policial reformado saiu para comprar um remédio para a mãe.

Então, o adolescente, de acordo com a polícia, colocou o irmão mais novo no quarto e foi até o escritório para pegar a arma que estava em um armário fechado. O disparo foi feito contra a cabeça da mãe.

“O irmão mais novo escutou, veio em direção à mãe, e começou a brigar com o adolescente. Foi quando o pai chegou, tentou desarmá-lo, mas foi atingido pelo filho. Ao ver a cena, a criança de 7 anos se abraçou ao pai, desesperada, e também foi morta pelo irmão”, declarou.

Ao ser questionado sobre a precisão dos tiros, o delegado não detalhou como o adolescente aprendeu a atirar, embora tenha dito que o suspeito conheceu a arma após o pai apresentá-la.

“Ele alegou que o pai mostrou a arma a ele, mas de uma forma controlada. Por ser policial, o pai o fez por uma ‘questão de curiosidade’. No entanto, o jovem disse que não tinha atirado”, finalizou o delegado.

Logo após atirar contra os familiares, o adolescente, segundo o delegado, guardou a arma, chamou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e tentou simular que teria havido um assalto. Neste momento, o adolescente está com medida restritiva de liberdade, internado em ala para menores, aguardando uma decisão judicial por parte do Ministério Público/Judiciário da Paraíba. As informações são dos portais G1/Banda B.

A tragédia envolveu esta família na Paraíba. Pai, mãe e o irmão de um garoto de 13 anos foram baleados. Foto: Reprodução/JPB 1/G1 Paraíba

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