08/09/2021

Somente em 2021, o HONPAR concluiu sete doações e ajuda a diminuir a enorme fila de espera que se agravou com a pandemia.

O limite entre a vida e a morte tem perspectivas diferentes. Há indivíduos em que o corpo ainda funciona, mas, por algum acidente, o cérebro não volta à atividade. Outros veem a saúde se esvair pelo mau funcionamento de um órgão debilitado. As histórias podem se juntar a um único ato: a doação de órgãos. O mês de setembro e a cor verde foram escolhidos para a conscientização e esclarecimento do público geral acerca do tema. O Hospital Norte Paranaense (HONPAR), através da equipe de profissionais da Comissão Intra-hospitalar de Doação de órgãos e tecidos para Transplantes (CIHDOTT), intensificará seu processo de trabalho realizando vários eventos de sensibilização e orientação sobre a doação para leigos e profissionais da saúde. A programação acontece entre 9 e 27 de setembro, Dia Nacional da Doação de Órgãos.

Ser um doador depende basicamente do desejo próprio e de informar aos familiares, uma vez que, após a morte, serão eles que decidirão sobre a doação. O processo, em linhas gerais, depende de um diagnóstico de morte encefálica, normalmente causada por traumatismo craniano ou acidente vascular cerebral. O HONPAR está habilitado para a captação de órgãos e para iniciar uma história de esperança. “Em 2021, o hospital participou de sete doações de múltiplos órgãos e 18 doações de córneas. Um trabalho incansável de profissionais que lutam diuturnamente em favor de pacientes que provavelmente nunca irão conhecer”, afirma a enfermeira Elza de Lara Bezerra, coordenadora do CIHDOTT do HONPAR.

Os procedimentos são, em sua maioria, para a reposição de órgãos como coração, fígado, pâncreas, pulmão e rim. Mas também podem ocorrer em tecidos como medula óssea, ossos e córneas. O tempo entre a decisão da família e a chegada para o receptor é uma verdadeira corrida. “Cada doação pode beneficiar até sete pessoas com órgãos sólidos, além das córneas e do tecido ósseo. Os transplantes têm a capacidade de aumentar a expectativa e a qualidade de vida desses pacientes. Muitos retomam, inclusive, as suas atividades normais”, detalha Bezerra.

A lista de pessoas que precisam de doação nunca diminui. Mas, durante a pandemia da Covid-19 e a suspensão de cirurgias eletivas, a situação ficou mais crítica. As pessoas infectadas pelo coronavírus não puderam ter os órgãos doados. Os dados do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná, consolidados até julho deste ano, apontam que o número de doações efetivadas foi o menor desde 2017, comparando ao mesmo período de anos anteriores. Foram 746 notificações e apenas 213 doações efetivadas. Felizmente, a estatística revela o menor número de recusa de familiares nos últimos 10 anos. Foram apenas 70.

Até julho, a lista de espera para transplantes de órgãos e tecidos no Paraná contava com 2.459 pessoas – em sua maioria, 1.404 aguardavam um rim. Outras 206 esperavam um novo fígado e 33 um coração. A compatibilidade entre doador e receptor é medida através do tipo sanguíneo. Historicamente, o Brasil ocupa a segunda posição entre os países que mais realizam transplantes, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo assim, a fila em todo o país ultrapassa 34 mil brasileiros que esperam um “sim” de uma família.

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