12/07/2021

A pandemia da Covid-19 vem causando um profundo impacto nas estatísticas vitais da população paranaense.

E uma prova disso está no fato de que nunca se morreu tanto e se nasceu tão pouco em um primeiro semestre como em 2021, quando a diferença entre nascimentos e óbitos foi a menor registrada na série histórica, iniciada em 2003 (cruzando-se os dados do Portal da Transparência do Registro Civil com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, divulgado pelo IBGE).

Conforme os Cartórios de Registro Civil do Paraná, nos seis primeiros meses deste ano foram registrados, em números absolutos, 71.755 nascimentos e 58.096 óbitos no estado. O “saldo” entre a vida e a morte, portanto, ficou positivo em 13.659, com a média de 1,24 nascimento para cada óbito.

Anteriormente, entre os anos de 2003 e 2020, o estado registrou, em média, 80.189 nascimentos e 32.771 mortes no primeiro semestre. Nesse período, então, tivemos uma média de 2,45 nascimentos para cada óbito.

Dessa forma, temos que, no primeiro semestre de 2021, o Paraná registrou um total de nascimentos 10,52% abaixo da média histórica, enquanto o número de óbitos teve crescimento de 77,28%. Uma equação que aponta para o menor crescimento vegetativo da população em um semestre no estado, aproximando-se, como nunca antes, o número de nascimentos do número de óbitos – a diferença entre nascimentos e óbitos, que sempre esteve na média de 47.418 nascimentos a mais, caiu para 24.088 em 2021, uma redução de 49,2%.

Com relação ao número de nascimentos, os 71.755 registros do primeiro semestre deste ano apontam para o menor número da série histórica, superando o recorde que havia sido registrado em 2009, quando 75.018 vidas tiveram início no primeiro semestre daquele ano.

Além disso, o Paraná já registra queda no número de nascimentos pela sexta vez seguida num primeiro semestre. Em 2015, por exemplo, foram 86.773 nascimentos. Nos anos seguinte, o número caiu consecutivamente, passando de 85.529 em 2016 para 76.279 em 2020.

Já quanto aos óbitos, a alta no primeiro semestre de 2021 é a segunda consecutiva para os seis primeiros meses de um ano. Em 2018, 36.931 pessoas faleceram entre janeiro e junho no Paraná. Em 2019 já foram 34.684 falecimentos, mas o número subiu para 35.519 no ano passado e alcançou o recorde de 58.096 registros neste ano. Anteriormente, o primeiro semestre com mais óbitos no Paraná havia sido anotado em 2016, quando 38.572 vidas chegaram ao fim. Os números de 2021, portanto, são 50,62% superiores ao do recorde anterior.

Os dados do Portal da Transparência do Registro Civil revelam, inclusive, que junho de 2021 pode ter sido o primeiro mês da história com mais mortes do que nascimentos no estado. No sexto mês do ano, os cartórios paranaenses registraram 11.324 nascimentos e 11.521 mortes no estado, com 197 mortes a mais e uma média de 0,98 nascimentos para cada óbito.

Os números, no entanto, são preliminares, já que os cartórios possuem um prazo legal de 15 dias entre o registro de um falecimento e um nascimento e o lançamento da informação no sistema que centraliza todos esses dados.

Em toda história, o mês com menor diferença entre nascimentos e mortes havia sido março deste ano, quando o Paraná registrou 13.681 nascimentos e 12.437 óbitos – 1,1 nascimento para cada morte, em média.

Com o agravamento da crise pandêmica em 2021, praticamente quatro em cada 10 óbitos no estado tiveram como causa (suspeita ou confirmada) a infecção pelo novo coronavírus, proporção bem maior que a verificada nos primeiros meses de pandemia, em 2020.

No último ano, entre março e dezembro, os cartórios do Paraná registraram 68.297 mortes, das quais 10.222 tinham como possível causa a Covid-19. Já em 2021, foram 60.175 óbitos nos seis primeiros meses do ano, com 24.088 falecimentos relacionados à doença pandêmica – 40,03% do total.

Por fim, considerando-se o período entre março de 2020 e junho de 2021, temos que um total de 128.472 vidas chegaram ao fim no estado. Dessas, 34.310 (26,71% do total) chegaram ao fim por conta das complicações causadas pela infecção do novo coronavírus. Fonte: Rodolfo Luis Kowalski/Bem Paraná.

Deixe seu comentário