Sacolas são vendidas, mas ossadas são colocadas em sacos de farinha

16/10/2020

Pedreiros que trabalham nos cemitérios municipais de Apucarana estão reclamando de algumas situações, em tese, irregulares que estariam ocorrendo nos cemitérios por conta de suposta irregularidade na Autarquia de Serviços Funerários de Apucarana (Aserfa) veja vídeo:

De acordo com alguns profissionais do ramo, para trabalhar nesses locais como pedreiro/coveiro é necessário ser licitado desde que Marcos Bueno assumiu como diretor-presidente da Aserfa. E desde a primeira gestão de Beto Preto na prefeitura, em 2013, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público (MP) porque os Cemitérios Cristo Rei e da Saudade não teria licenciamento junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Desde então foi estabelecida uma série de normas interna pelo ex-presidente proibindo que pedreiros deixassem seus materiais de trabalho no interior dos cemitérios municipais e estabelecendo preços para todo e qualquer procedimento realizado dentro dos cemitérios (à exceção para sepultamentos de membros amputados), regra essa que foi mantida com rigor pelo atual diretor-presidente da Aserfa, Marcos Bueno.

E por conta dessas normas estabelecidas é que os pedreiros iniciam suas denúncias, alegando que apenas uma credenciada estaria recebendo tratamento diferenciado pela Aserfa, com permissão para levar materiais como areia, pedriscos e outros para o interior dos cemitérios e retirá-los com caminhões a hora que bem entender, sem ser submetida ao rigor normativo, como ocorre com a maioria dos pedreiros que trabalham nesses locais.

Além do que a referida estaria realizando a maioria dos serviços no Cemitério Cristo Rei, da Saudade e do Pirapó, em prejuízo dos demais, com suposto monopólio dos procedimentos, todos com preços estabelecidos e cobrados pela Aserfa, como construção de “carneira” padrão simples R$ 790, realização de sepultamentos R$ 156, sepultamento em gaveta vertical R$ 516, desaterro de gaveta (retirar terra) e destinação de terras e entulhos R$ 206, demolição de túmulo antigo R$ 406, remover pisos de tijolos assentados sobre lajes R$ 128, remoção de restos mortais R$ 66, e o autorizado teria que pagar para Aserfa R$ 50, pela sacola e receber em separado do solicitante, a falta de clareza, traz muitas vezes prejuízo ao solicitante que paga valor acima do estabelecido, caracterizando um verdadeiro “mercado da morte”, conforme frisam os pedreiros.

Tais profissionais denunciam que entre as supostas irregularidades estaria a cobrança de R$ 50 por sacola para colocar ossos retirados ou realocados em sepulturas após exumações e outros procedimentos. As sacolas e caixões são vendidos na Aserfa, mas a autorizada que estaria sendo tratada de forma diferenciada pela direção da Autarquia em relação aos demais pedreiros, como se, em tese, comandasse um esquema de monopólio, estaria usando sacos de farinha para colocar as ossadas (os denunciantes exemplificam citando um caso desse tipo de situação que pode ser verificado na quadra 38), sendo que as pessoas chegam a pagar R$ 150 pelas sacolas e o serviço. Segundo os denunciantes, isso seria equivalente a “pagar por um caixão e receber uma rede”.

Sepulturas sem lajes, ossadas retiradas de jazigos e colocadas em local impróprio, onde ficam expostas, caçambas para retirada de entulhos dentro do cemitério, o que contraria determinação da própria gestão Beto Preto/Júnior da Femac, amontoados de lixo e entulhos e até a suposta venda de lajes para fechamento de sepulturas constam das denúncias que foram reiteradas por pedreiros. Inclusive eles encaminharam ao Portal de Notícias fotos e vídeos que comprovam como está a situação atual no Cemitério Cristo Rei. Eles acrescentam que tais irregularidades seriam recorrentes e ainda citam a falta de equipamento de proteção individual e roupas adequadas para evitar o contágio pelo Covid-19 durante sepultamentos.

Com a palavra o diretor-presidente da Autarquia de Serviços Funerários de Apucarana (Aserfa), Marcos Bueno.

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