02/06/2022

Marc Donald Jean Baptiste defendeu a tese “Cadê o Haiti? O processo de formação identitária dos ti dyaspora haitianos na relação entre a escola e suas famílias no Brasil”, em sessão pública no Google Meet.

O Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Política Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL) titulou o primeiro doutor haitiano nesta semana. Marc Donald Jean Baptiste defendeu a tese “Cadê o Haiti? O processo de formação identitária dos ti dyaspora haitianos na relação entre a escola e suas famílias no Brasil”, em sessão pública no Google Meet, na presença de docentes, estudantes, amigos e familiares.

A tese aborda a identidade das crianças haitianas no Brasil na sua relação entre escola pública e suas famílias de origem, tendo como objetivo identificar e analisar as influências do ambiente escolar e familiar sobre a formação identitária dos ti dyaspora haitianos no Brasil. Sob orientação do professor Wagner Roberto do Amaral, do Departamento de Serviço Social, do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), a pesquisa foi de natureza qualitativa e teve sua metodologia dividida em revisão bibliográfica, levantamento documental e pesquisa de campo.

“Foi um trabalho muito emocionante para mim, considerando minha história como imigrante que está refletindo sobre imigração. É uma pesquisa que envolve muita lembrança e saudade. Às vezes, eu me colocava no lugar dessas pessoas que eu estava pesquisando e por isso essa pesquisa é tão importante para mim”, disse Marc, que ficou emocionado ao receber o título de doutor. “Foi um sentimento de missão cumprida e uma forma de abertura também para todos os imigrantes poderem entrar no programa”.

A banca examinadora foi presidida pelo professor Wagner Roberto do Amaral. Também compuseram a mesa as professoras Andrea Pires da Rocha, do Departamento de Serviço Social; e Leila Sollberger Jeolás, do Departamento de Ciências Sociais (CLCH); além da professora Milena Fernandes Barroso, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); e do professor Handerson Joseph, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também haitiano atuando na docência e pesquisa no Brasil.

O professor Amaral, orientador de Marc desde o mestrado, disse que é um orgulho enorme ter vivenciado a experiência como orientador, mas principalmente como companheiro de estudos e pesquisa do Marc. “Tenho certeza que ele segue seu percurso acadêmico para o pós-doutorado, seja aqui ou em outros países, mas que ele siga com essa experiência que nós cultivamos e compartilhamos”, afirmou.

TRAJETÓRIA – Formado em Serviço Social pela Université d’Etat do Haiti (UEH), Marc migrou para o Brasil em 2016, para fazer o mestrado em Serviço Social e Política Social da UEL, por meio do Convênio Programa de Alianças para a Educação e Capacitação (Paec), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB). Durante o mestrado e doutorado, foi bolsista da Capes.

No mestrado, o estudante pesquisou sobre as compreensões dos imigrantes haitianos acerca das políticas sociais brasileiras. Durante esse período, a partir da convivência com outros imigrantes haitianos, surgiu o tema da pesquisa do doutorado. “Durante o mestrado, participei de várias atividades com imigrantes haitianos e descobri que muitos começaram a ter filhos aqui e que não falam muito bem a língua nativa, que é o criolo, então, comecei a questionar sobre as identidades dessas crianças, e a partir daí surge a pesquisa de doutorado”.

Com a finalização do doutorado, Marc ainda não sabe se irá permanecer no Brasil, mas uma de suas perspectivas é fazer um pós-doutorado no Canadá, na França ou em outro país.

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