Armas apreendidas em operação da Polícia Federal em Paiçandu — Foto: PF/Divulgação

11/11/2020

Investigações apontam que o enfermeiro do UPA de Apucarana seria um dos líderes de uma organização criminosa de venda de cigarros contrabandeados e lavava o dinheiro recebido em uma revenda de gás e adquirindo imóveis. PF identificou que suspeito movimentou R$ 40 milhões em sete anos.

Uma pessoa foi presa e quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Paiçandu, no norte do Paraná, em uma operação da Polícia Federal para combater a prática de lavagem de dinheiro e aquisição de patrimônio ilegal a partir do contrabando de cigarros nesta segunda-feira (9).

O principal investigado na ação, suspeitos de chefiar a organização criminosa, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, contrabando e descaminho.

Segundo a Polícia Federal, ele utilizava uma revendedora de gás para lavar dinheiro proveniente da venda de cigarros paraguaios e, em sete anos, movimentou R$ 40 milhões.

No cumprimento de busca e apreensão, foi encontrada uma arma, várias cápsulas de municipal e 300 caixas de cigarros paraguaios.

Os outros três mandados de busca foram cumpridos em imóveis do pai e do irmão do suspeito. De acordo com a Polícia Federal (PF), eles atuavam como laranjas no esquema, estavam nos nomes deles alguns imóveis que foram comprados pelo principal investigado.

Na casa do irmão do suspeito a polícia encontrou duas armas, cada uma possuía um kit rajada, responsável por disparar dezenas de vezes ao mesmo tempo.

Ataque patrimonial
A Polícia Federal detalhou que o responsável pelo esquema passou a ser investigado em uma das vezes que foi preso por contrabando. Na época ele declarou que tinha renda de R$ 900 e era empregado na padaria do pai. No entanto, os investigadores descobriram que o suspeito comprou uma revendedora de gás e o imóvel onde está a padaria.

A Polícia Federal afirma que entre 2012 e 2019, a revendedora de gás, o investigado, o pai e o irmão dele movimentaram R$ 41 milhões sem comprovação de atividades legais. Foram descobertos sete imóveis que custam mais de R$ 1,2 milhão cada um.

“O pai tem uma pequena padaria em Paiçandu e o valor das notas fiscais geradas não daria o valor suficiente para a aquisição do imóvel ou para obter a licença de instalação”, explicou o delegado Alexandre Boeing Noronha Dias.

“O principal investigado foi preso quatro vezes em 2015 por contrabando. Depois disso, adquiriu uma revenda de gás por um valor alto. Se à época que foi preso tinha uma renda de R$ 900, como é que conseguiu comprar a revenda, com o lucro do contrabando. Investigamos e descobrimos que ele usava a revenda para lavar dinheiro do contrabando de cigarros do Paraguai”, pontuou o delegado.

Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou o sequestro dos imóveis vinculados aos alvos da operação.

“O foco da Polícia Federal é descobrir os principais responsáveis pelas organizações criminosas. Puxamos a movimentação financeira e descobrimos quem é o autor do crime. Atacando o patrimônio conseguimos desarticular a organização criminosa”, explicou o chefe da Delegacia da Polícia Federal em Maringá, Cezar Luiz Busto de Souza.

A reportagem do Portal 38 News manteve contato na manhã desta quarta-feira (11) com o Secretário Municipal de Saúde de Apucarana, com um diretor da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) e ainda tentou contato com a assessoria de imprensa da AMS para saber se o servidor público preso pela PF já estava em liberdade e se algum procedimento administrativo ou disciplinar seria instaurado, mas nenhum dos dois se manifestaram sobre o assunto e a assessora de imprensa não estava no local no momento do contato.

Com informações G1 Norte Nordeste.

 

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